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VoIP vai simplificar chamadas a longa distância
- 21/07/2005 -

Por: Toni Vasconcelos

Novo sistema de telefonia usa rede mundial de computadores para transmitir voz

A transmissão de voz através da internet já é uma realidade consolidada para muitas empresas no Brasil. E essa parece ser uma tendência irreversível, não apenas em relação ao ambiente corporativo como também no campo domiciliar. Essa é a avaliação de João Carlos Quitério, diretor de tecnologia da Ziva Tecnologia e Soluções, sediada em São Paulo. "A telefonia está passando por uma revolução. E as chamadas de longa distância serão coisa do passado. Falar com o prédio ao lado terá o mesmo custo de um telefonema de São Paulo a Hong Kong", preconiza. Essa transformação tem o nome de VoIP, sigla de "Voz sobre IP" (de Internet Protocol ou Protocolo da Internet).

Segundo Carlos Quitério, o novo sistema de telefonia utiliza, basicamente, a rede mundial de computadores para transmitir voz, dispensando os cabos da rede telefônica tradicional e eliminando as tarifas diferenciadas de DDD e DDI. "Isso deve explicar a excelente e acelerada acolhida que a novidade está obtendo no mercado nacional", observa. Já o analista de telecomunicações Juan Fernandez, da consultoria Gartner, acredita que, até 2015, a tecnologia VoIP será de uso corrente. Porém, ressalta o especialista, novo sistema ainda depende de uma modernização da rede telefônica residencial e corporativa, o que inclui a aquisição de aparelhos, computadores e softwares.

O investimento, contudo, vale a pena. Segundo o diretor da Ziva Tecnologia, além da expressiva economia - especialmente para as empresas que precisam se comunicar com filiais nos lugares mais distantes no país e exterior -, o VoIP agrega novos serviços à comunicação oral, possibilitando, como a troca de imagens e o gerenciamento de softwares por meio de comandos de voz. "E, para funcionar, a tecnologia não precisa de uma rede totalmente digital. A voz pode ser carregada em forma de dados apenas por trechos determinados. Por exemplo, se o sinal telefônico parte de um aparelho analógico tradicional, pode prosseguir assim até a central da cidade e, ali, ser transformado em dados. E se houver banda larga até a operadora da cidade de destino, será novamente convertido em sinal analógico, chegando até o receptor pela linha telefônica convencional. Portanto, mesmo quem não usa telefonia IP dentro de casa ou do escritório pode ter sua voz carregada via internet", explica.

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Espelhos apostam no cliente

O detalhamento dos serviços, muitas vezes personalizados ao gosto do cliente, é uma das tendências de atuação das empresas espelhos e espelhinhos na área das telecomunicações. Desde 31 de dezembro de 2001, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) começou a outorgar novas autorizações para o Serviço de Telefonia Fixa Comutado (STFC), sem limite de concessões. Na Bahia, destaque para a operadora espelho Intelig Telecom. No Brasil, os analistas apontam a atuação forte da GVT.

A Intelig Telecom iniciou suas operações em janeiro do ano 2000, tanto na telefonia fixa local quanto de longa distância, através do código 23. Entre os serviços diferenciais, a Intelig oferece aos clientes além da conta impressa, opção de faturas obtidas através de downloads via internet ou CD, para clientes com gastos mais elevados. Há ainda opções de faturas em formatos de textos, planilhas ou relatórios em PDF.

A empresa não revela números de mercado. Dados disponíveis no portal Teleco (www.teleco.com.br) revelam que, em 2003, a Intelig registrou receita líquida de R$1 bilhão, sendo 85% da receita proveniente das operações em voz e 15%, em dados. Através de sua assessoria de imprensa, a Intelig reforçou o "acirramento da concorrência no mercado baiano". Segundo análise da empresa, no ano 2004 a Intelig manteve cerca de 96% da minutagem de DDD e DDI, em relação a 2003, na capital baiana.

Nos cálculos da Anatel, existem mais de 400 empresas espelhinhos e cerca de 50 espelhos, em todo o país. Na Bahia, lista a atuação de três empresas espelhinhos - Aerotech Telecomunicações, Engevox Telecom e Alôtelecom - no serviço de telefonia fixa local, além da concessionária Telemar. Vale destacar que a então espelho, a Vésper, foi adquirida pela Embratel, concessionária do STFC. Os 79 mil assinantes da antiga Vésper na Bahia na telefonia fixa residencial agora são clientes do Livre, opção de telefonia local da Embratel.

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Internet comercial comemora dez anos

Em maio último, a Embratel comemorou os dez anos de lançamento da internet comercial no Brasil. Nas homenagens, estavam engenheiros, técnicos e executivos da empresa - na época ainda sob controle do governo federal - que participaram do projeto do primeiro backbone de acesso à rede mundial de computadores. De acordo sua assessoria de imprensa, ainda hoje o backbone da Embratel é o maior da América Latina, tanto em abrangência, atingindo mais de 300 localidades no país, como em capacidade de circuitos de transmissão de dados, em níveis nacional e internacional. "A internet tem hoje um importante papel na sociedade brasileira e mundial: o de diminuir a exclusão social a partir da inclusão digital", afirma Carlos Henrique Moreira, presidente da empresa.

De 1995 até hoje, o acesso dos brasileiros à rede mundial de computadores deu impressionantes saltos quantitativos e qualitativos. Segundo o IBGE, 11,4% dos domicílios - cerca de sete milhões de residências e 19,3 milhões de pessoas - no país têm um computador com acesso a internet (dados de 2003). O portal Teleco, especializado em telecomunicações, citando como fonte o Ibope, informa que, até dezembro passado, existiam no Brasil 18,6 milhões de usuários domiciliares com acesso a internet, dos quais 10,8 milhões ativos (58,2%). No campo da internet para uso corporativo, o IBGE estima que existem 4,8 milhões de terminais de acesso em empresas no Brasil, ocupando 25 milhões de usuários (dados 2002).

Mas é a banda larga o tipo de acesso que mais cresce no país. O sistema pode ser oferecido através de fibra óptica, rádio ou mesmo linha telefônica. O Velox (serviço de acesso à internet de alta velocidade da operadora Telemar), por exemplo, registrou expansão de 380% nos últimos anos nos 17 estados em que está disponível, incluindo a Bahia. No ano passado, a estimativa da empresa era de superar a marca de 450 mil clientes. Segundo João Carlos Quitério, diretor de tecnologia da Ziva Tecnologia e Soluções, em São Paulo, mais de 90% do mercado nacional, atualmente, faz conexão com a rede mundial de computadores através da banda larga, que utiliza a mesma infra-estrutura da telefonia fixa. "As pequenas e médias empresas, por questão de custo operacional, optam pela banda larga, com acesso compartilhado, que não oferece garantia de uso total da banda. Já as companhias de grande porte (e algumas de porte médio) estão contratando o chamado `link dedicado´, em fibra óptica ou cabo de cobre, que garante tráfego exclusivo na banda. Esse tipo de acesso chega a ser dez vezes mais caro", explica Quitério. (TV)

 

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